Dos meus descontroles
28 de abril de 2011
Tem algumas cousas que me arrancam subitamente do propósito inconsciente de vida “vou ser fofo”. Ainda que eu respire a intenção de ter respeito por todos e racionalmente pense “é só um outro modo de vida”, é mais forte que eu e não consigo evitar. Afinal, ódio também é legítimo. O ruim é o que você escolhe fazer com ele.
Uma dessas situações me que tiram do sério é gordo comendo na rua. Nossa como odeio! Sabe esses gordos que estão comendo churros no caminho entre um canto e outro? Esses que não sabem se atravessam a rua ou se dão uma dentada no risole?! A minha vontade é de ir até o gordo e gritar a plenos pulmões fumantes:_ larga isso que você ta imenso!
Antes de me atirar uma grandessíssima pedra, acreditem, é um impulso que beira o companheirismo puro e leal. Ele nasce de uma compaixão absoluta de alguém que foi eternamente gordo e ainda hoje é semi-gordo ou, como eu prefiro muito, pseudo-magro.
Mas claro, no auge do impulso incontrolável, respiro fundo e racionalizo que não tenho absolutamente nada a ver com a gordisse alheia. Quem quiser que coma seus churros ou pastel ou cuscuz porque é uma escolha, um modo (engordurado) de viver, uma forma de ter prazer nessa vida corna e difícil.
Recentemente, descobri um novo e pulsante foco de ódio social: criança grande em carrinho de bebê. Putz, esse não dá para suportar. Me sobe um troço que embola na garganta e me faz perder as estribeiras. Sempre me visualizo indo imperativo soltar a criança com berros de “levanta-te e anda, Pedro Henrique”!
Logo aqui do lado da agença , tem um colégio desses bacanudos onde só se vêem caucasianinhos fofos, candidatos a futuros jovens você-sabe-de-quem-eu-sou-filho?. Já mudei até a hora que saio para almoçar, porque não aguento. Fico insano. Aquela horda de fancy mães com Balenciagas e babás à tira colo levando crianças que já quase podem fazer crianças parecendo débeis sentadas nos carrinhos. Realiza, sua louca, seu filho não é mais bebê e vai ter um problema de mobilidade já já se não descolar ele desse carrinho patético.
Ahhh que ódio! Bota os pobrezinho para andar gente!
Mas é isso mesmo, outro dia uma sem-mãe me questionou, assim do nada, se eu já não estava muito velho para ter um cabelo Justin Bibis. (quero aqui ressaltar que eu não tenho a mínima intenção ou afinidade capilar com esse anão cantante. Estou apenas em uma fase felpuda)
Ou seja, o que eu sou também incomoda a essa bandida, ao Bolsonaro e provavelmente à muitos outros. Conhecer e trabalhar os seus ”ódios” e desconfortos talvez seja a única forma de fazer com que eles não atrapalhem a vida de ninguém, nem mesmo a sua.
Wii Motion Pus Inside
25 de abril de 2011
Depois de meses de tormenta, eis que vem a bonança: eu tenho uma faxineira nova. Não nova tipo de idade, pois ela vem a ser meio que uma senhorinha. É nova tipo novidade no pedaço. No caso, no pedacinho que é o meu apê.
Chama-se Dalra com L e é importada de Niterói para harmonizar com meu bairrismo exacerbado. Ela gosta de chegar cedo, antes mesmo das sete, e traz pão fresco, o que seria incrível caso eu não tivesse forçosamente cortado esse item da minha existência flácida.
Estou satisfeito. Tem aquelas coisas de default de faxineira, né? Ela ama Vanish mais que tudo. Ama a ponto dos olhos brilharem quando repousam sobre o potinho rosa perto da máquina. O amor é tão intenso que ando desconfiado de que ela come vanish, tipo, na salada ou como queijo ralado no macarrão. Só pode! Quem sabe passa no cabelo, sei lá. É um pote inteiro para cada vez que ela aparece. Mas é limpinha, de confiança, essas coisas.
Dia desses, deixei-a lemcasa (acho lemcasa uma expressão maravilhosa) e fui para meu sepulcro laboral de cada dia. Me despedi fofo e saí. Quando voltei, à noite, encontrei uma cena um tanto estranha. Os controles do Wii não estavam na sala, ao lado do console como de costume. Misteriosamente encontravam-se com fio enroladinho e tudo dispostos na minha mesa de cabeceira.
Achei estranho. No quarto não tem nem TV. O que essa mulher pensou Jeová?
Semana seguinte, eu tomava café da manhã na sala e ela era só ousadia na tábua de passar. Entre um assunto corriqueiro e outro, como quem não quer nada, resolvi perguntar sobre o acontecido:
_Dalra, ta vendo aquelas coisas ali? – apontei para os controles novamente colocados ao lado da TV.
_Ahn?! – ela desviou o olhar da bermuda cheia de bolsos virada ao avesso e respondeu com uma cara que misturava susto e constrangimento.
Resolvi investigar mais a fundo.
_Por que você colocou na minha mesa de cabeceira?
Em um movimento rápido e preciso ela desvirou a bermuda e deu um último capricho no bolso lateral. Colocando o ferro de passar no descanso de metal da tábua, enrubesceu e me olhou com o olhar daqueles que não muito te olham de verdade e respondeu:
_Ué, não é massageador? Desses assim…MODERNOS! – deu um risinho cínico, porém cúmplice.
Putz, entendi tudo. Sério, minha faxineira achou que o controle do Wii era uma espécie de consolo, vibrador, dildo ou algo que o valia!!! É muita inventividade Brasil!
Passado o constrangimento mútuo, expliquei direitinho do que se tratava a peça em questão e agora eles moram seguros na frente da TV, prontos para cumprir sua função de entretenimento inocente e puro.
De qualquer forma, fica a dúvida: será que ela testou?
meta de vida
24 de março de 2011
Nunca me considerar tão importante ao ponto de não poder pegar meu próprio café.
foto by willycoolpics | danbo project
Hoje é sexta-feira
25 de fevereiro de 2011
Não dá pra ser feliz no verão
9 de fevereiro de 2011
Se tem uma coisa certa nessa vida é que alegria de pobre dura pouco. Muito pouco.
Comprei o bendito aparelho de ar condicionado parcelado em milhões de vezes. Eu sou todo trabalhado na parcela. Se puder, parcelo até almoço em restaurante self-service.
A promessa gelada que daria fim aos meus dias de suadouros insones demorou 20 dias para chegar. Claro, comprei no site mais xexelento e barato que encontrei na web, aqueles em que alguém nunca se atreveria a comprar algo e que dá frio na espinha ao apertar finalizar a compra.
O trem chegou! Oba. Óbvio que eu não faço a mínima ideia (essa porra não tem mais acento, não me conformo) de como se instala um troço desse. Sou absolutamente incapaz de instalar qualquer coisa. É tipo patológico mesmo. Se algo não funciona, eu choro. É assim que as coisas são e aceitação traz um caminhão de paz para nossa vida.
Catei o porteiro para fazer o sirviço. ATENÇÃO: Jamais faça algo assim tão estúpido (mesmo que a Diesel diga o contrário). Não sei porquê cargas d’água, mesmo eu tendo comprado um caixonete todo bonitinho, ele meteu um compensado gigante na parede. Umas cinco vezes maior do que o aparelho. É tipo uma moldura de pobreza embrenhada no meio do meu quarto. Uma instalação de incompetência adornando minha parede. Depois de consumada a cagada, o maldito se ofereceu para ir dar um acabamento: pintar de branco a madeira velha.
Mas eu não seria mais massacrado por esse calor nojento do Rio de Janeiro que as colegage insistem em endeusar e isso já estava bom demais.
Não, Felipe, seu corno infeliz, você vai ficar na suvaqueira velha, sabe por que? Porque veio quebrada a bagaça do ar. E o moço do conserto, sem eira nem beira, como se fosse normalíssimo um troço novo estar cagado de merda, me sentenciou a 10 dias úteis no lago de fogo e enxofre que está o meu quarto.
10 dias úteis? Sabe quantas vezes eu tenho dez dias úteis para fazer algo no meu trabalho??? Nunca. São sempre 2 dias para reinventar a roda com dez reais. Mas é isso, trocar a peça de um ar é muito complicado.
Fato é que estou de volta ao ventilador teco-teco capenga girando preguiçoso de um lado para o outro. No desespero, enquanto ele vai, eu pego a garrafa que mora no sopé da cama e espalho água nas gordurinha tudo. Quando ele vem, o vento quente bate nas gordurinha molhada e produz um breve instante de fresquinho. Mas logo ele vira para o outro canto e eu me pego rezando para que o ventilador – o ven-ti-la-dor, minha gente – volte para mim.
O resultado dessa pobreza em nível atômico? Noites em claro e brotoejas infames. Como ainda faltam 8 dias (úteis), acho que vou ter que comprar um talco Vinólia para salpicar nas dobrinhas sofridas. Triste isso.
(Por essas e outras, lancei a campanha: Por que, Deus, eu não nasci na Noruega? Preciso de uma explicação a cerca dessa sacanagem de ter nascido nos trópicos)
Hoje é sexta-feira
14 de janeiro de 2011
Só porque eu mereço
13 de janeiro de 2011
Ontem, no taxi:
_Bom dia. São Conrado, por favor.
_Oquei campeão – responde o motorista todo trabalhado na animação matinal.
Tenho uma teoria que é a seguinte: se o taxista te trata por campeão ou algo do gênero assim de cara, a coisa corre um sério risco de desandar. Se o percurso é longo – como o meu – você está loucamente fudido encrencado.
_E ae, tá vendo o Big Brother?
_Ahhnohm – respondi decidido a fazer um som que não exprimiria nem que sim e nem que não. De qualquer forma, tive a clarividência (as vezes tenho essas antecipações, são quase um dom meu, sabe?) de que qualquer que fosse a resposta, ele iria iniciar um falatório.
_Porra, baixaria total mermão, né não? – falou todo exaltado buscando alguma cumplicidade. Uma das mãos segurava o volante. A outra ajeitava os óculos na parte de cima da cabeça enquanto metade do corpo se projetava para invadir a segurança do banco de trás do carro.
Eu ouvi mermão? O segundo termo denotando intimidade antes do taxímetro chegar a cinco reais. Vamos ter problemas aqui. Preciso pensar rápido. Como é que vou cortar esse papo Jeová?
_Muita mulher boa, tu viu? Cada rabão!
Oquei. Estava até disposto a passar por cima do meu mau humor e me tornar expectador desse monólogo, mas agora já é demais. Já sei muito bem onde isso vai dar. Começamos discutindo o tamanho das BBBundas e terminamos com compartilhamento desenxabido de fantasiosas estripulias sexuais do amigo Antonio Alvez, o taxista.
Nem pensar. E assim, eu tenho bochecha rosada, sabe? Saí de casa de calça e skinny e wayfarer na cara. Deus, será que não dá para perceber?
_E a traveca? – levantou ainda mais o tom de voz, como se eu tivesse a feliz opção de não estar escutando, e soltou uma gargalhada seguida de vários tapinhas leves sobre o volante.
Pensei em explicar os pormenores da diferença entre transexual e travesti. Logo desisti pensando que talvez eu não tivesse muita resposta intelectual.
_Mas diz ae, tu não comia não?
Oi? Ah não, já está demais isso. Bem, o trânsito está ruim e ainda estamos no Humaitá. Vai que o Jardim Botânico ta todo parado? Melhor aproveitar a deixa.
_Não comeria não. Ela cortou fora o que me interessa.
(segundos de assimilação)
_O senhor prefere ir pela Lagoa ou seguimos pelo Jardim Botânico?
Madeiraaa
7 de janeiro de 2011
Das percepções dessa vida
7 de janeiro de 2011
Eu não compro você. Não legitimo seus caprichos ou muito menos faço coro com suas inseguranças traduzidas em palavras rudes e muitas vezes, acessórios de gosto duvidoso. Vamos combinar, há que se escolher apenas um mal. Ou você usa brincos odiosos e distribui sorrisos ou é uma vaca completa que arrasa no visual. Equilíbrio é tudo.
E na boa, não vou perder o meu.





